sexta-feira, 15 de novembro de 2024

ME ACHEI DEPOIS DE LONGO TEMPO

Fiquei por aqui perdida tanto tempo. Hoje fiz uma consulta ao ChatGPT sobre meu livro e ele me indicou este meu blog, esquecido durante tanto tempo. Desde 2021, quando após publicar Madressilvas em Pucon, uma nova história surgiu na minha cabeça, baseada nas minha dúvidas sobre minha bisavó, um elo perdido na história da familia. Mas na verdade quem apareceu mesmo foi FILIPA. 

Aproveito para recomeçar a escrever aqui, contando sobre Filipa, uma personagem surgida num exercício de ateliê literário, e que impetuosa me apraece,  assim que termino a revisão de Madressilvas, se lança em meu imaginário, como uma voz muito presente e me diz: agora você vai contar minha história.

 Talvez o desacerto que aconteceu comigo foi que tentei encaixar Filipa como a personagem de uma história  inspirada na de  minha bisavó, mas Filipa pertence a outro mundo. Quem é Filipa? Certamente a minha leitura de Mrs. Dalloway de Virginia Wolf,  nestas ultimas semanas, gerou essa epifania em cascata, ou seja, o ressurgimento de meu blog, ( aliás alguem ainda lê blog?) e desconfiar da verdade de Filipa. Ou agora, pensar Filipa em sua própria história. Afinal quem é Filipa? O que já sei de Filipa? Ou já sabia?

Filipa apareceu a primeira vez como parceira de outro personagem, Kim Eduardo, um fotógrafo que acompanhava as excursões de San,  pesquisadora de plantas na floresta próxima a uma aldeia indígena. Filipa, ciumenta, inteiramente urbana , funcionava como a namorada que cria todo tipo de antagonismo às atividades e paixões de Kim Eduardo. Filipa, urbanóide, gosta das cidades cosmopolistas, é voluntariosa, mas muito pouco sei de Filipa. E  como escritora, fui alimentando certa antipatia por ela. E achei um baita atrevimento quando mal  acabo de escrever meu primeiro livro, ela se lançar, reivindicando um lugar que não sei porque seria seu. E também porque acabei autorizando. Além de mais uma vez,  começar a escrever por um personagem que de certa forma me irrita?

Mas prontamente me submeti a aceitar sua proposta,  porém devo confessar que  nunca de verdade me debrucei sobre Filipa. Talvez possa até vir a gostar mais dela se me forçar a conhecê-la, mas é preciso mergulhar na construção de  Filipa. Nas minhas antigas anotações, Filipa está descrita como uma antropóloga urbana que escreve sua tese sobre " Fatalidades Urbanas" e investiga os sobreviventes dos asfalto, um grupo usuário de drogasque reside proximo ao centro da cidade. a primeira vez que FIlipa me aparece é num momento em que escrevi  sobre uma visita de Kim Eduardo a acampamento onde San, a pesquisadora está numa investigação. nesse dia, acontece a morte de um bebê da aldeia vizinha, por desnutrição. 

Encontrei esse texto e o publicarei neste laboratório em outro dia. Talvez me ajude a entender mais um pouco sobre  Filipa. O mais significativo que aconteceu hoje foi o Chat GPT me lembrar sobre este blog, abandonado por tanto tempo. 


domingo, 24 de junho de 2012

Madressilvas em Pucon, meu primeiro livro, me fez transpassar diversas fronteiras. O encontro com a literatura, para alguém que havia elegido o cinema como paixão abriu minha sensibilidade para uma nova tessitura feita de palavras. Isso foi uma surpresa que se tornou um vício. Tantos anos a investigar os elementos que estruturam a imagem, o movimento, e subitamente quase como ao acaso, me debruço e me sinto voltada para os parágrafos e seus encadeamentos. Ainda não há intimidade, mas há desejo. E um prazer inquietante pautado na descoberta de uma sonoridade desconhecida. Abandono por instantes a antiga paixão. Minha cobiça pelo fazer solitário acoberta meu fascínio pela produção e indústria da imagem projetada na tela. Tão simples escrever. Tão complexo escrever. As bordas escondem o mistério das essências. Meus dedos dedilham letras na esperança do novo texto que virá. De uma nova história que já existe.

sábado, 5 de maio de 2012

Maio. Lua cheia de Wesack. Esboço meu segundo livro que me exige um novo formato de trabalho, mais comprometido e disciplinado. A criação deste blog segue a inspiração dos Cadernos de Lanzarote de Saramago e surge como marco de um novo processo. A escrita se configura como missão. Ser escritora , um mandato que retoma o fio da história de antepassados: um bisavô (Azevedo Junior) transformado em busto de bronze na Praça da Liberdade de BH e uma avó silenciosa ou silenciada, não sei, na voz falada, mas brilhante na palavra escrita. Bem vinda lua de Wesack. Abrindo a inspiração e a poesia para um novo desafio.