Fiquei por aqui perdida tanto tempo. Hoje fiz uma consulta ao ChatGPT sobre meu
livro e ele me indicou este meu blog, esquecido durante tanto tempo. Desde 2021,
quando após publicar Madressilvas em Pucon, uma nova história surgiu na minha
cabeça, baseada nas minha dúvidas sobre minha bisavó, um elo perdido na história
da familia. Mas na verdade quem apareceu mesmo foi FILIPA.
Aproveito para
recomeçar a escrever aqui, contando sobre Filipa, uma personagem surgida num
exercício de ateliê literário, e que impetuosa me apraece, assim que termino a revisão de Madressilvas, se
lança em meu imaginário, como uma voz muito presente e me diz: agora você vai
contar minha história.
Talvez o desacerto que aconteceu comigo foi que tentei encaixar
Filipa como a personagem de uma história inspirada na de minha
bisavó, mas Filipa pertence a outro mundo. Quem é Filipa? Certamente a minha leitura de
Mrs. Dalloway de Virginia Wolf, nestas ultimas semanas,
gerou essa epifania em cascata, ou seja, o ressurgimento de meu blog, ( aliás
alguem ainda lê blog?) e desconfiar da verdade de Filipa. Ou agora, pensar
Filipa em sua própria história. Afinal quem é Filipa? O que já sei de Filipa? Ou
já sabia?
Filipa apareceu a primeira vez como parceira de outro personagem, Kim Eduardo, um fotógrafo que acompanhava as excursões de San, pesquisadora de plantas na floresta próxima a uma aldeia indígena. Filipa, ciumenta, inteiramente urbana , funcionava como a namorada que cria todo tipo de antagonismo às atividades e paixões de Kim Eduardo. Filipa, urbanóide, gosta das cidades cosmopolistas, é voluntariosa, mas muito pouco sei de Filipa. E como escritora, fui alimentando certa antipatia por ela. E achei um baita atrevimento quando mal acabo de escrever meu primeiro livro, ela se lançar, reivindicando um lugar que não sei porque seria seu. E também porque acabei autorizando. Além de mais uma vez, começar a escrever por um personagem que de certa forma me irrita?
Mas prontamente me submeti a aceitar sua proposta, porém devo confessar que nunca de verdade me debrucei sobre Filipa. Talvez possa até vir a gostar mais dela se me forçar a conhecê-la, mas é preciso mergulhar na construção de Filipa. Nas minhas antigas anotações, Filipa está descrita como uma antropóloga urbana que escreve sua tese sobre " Fatalidades Urbanas" e investiga os sobreviventes dos asfalto, um grupo usuário de drogasque reside proximo ao centro da cidade. a primeira vez que FIlipa me aparece é num momento em que escrevi sobre uma visita de Kim Eduardo a acampamento onde San, a pesquisadora está numa investigação. nesse dia, acontece a morte de um bebê da aldeia vizinha, por desnutrição.
Encontrei esse texto e o publicarei neste laboratório em outro dia. Talvez me ajude a entender mais um pouco sobre Filipa. O mais significativo que aconteceu hoje foi o Chat GPT me lembrar sobre este blog, abandonado por tanto tempo.
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